A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 

Professor Wladmir Coelho


1 – O regime capitalista possui, aproximadamente, 500 anos de história caracterizada esta pelo desenvolvimento dos meios necessários a produção de alimentos, tecidos, equipamentos de transporte, comunicação enfim ao necessário para a sobrevivência humana em termos materiais. Ao lado da pesquisa e desenvolvimento tecnológico voltado a criação das máquinas em condições de aumentar a velocidade e a quantidade da produção vamos encontrar a maior racionalidade nos setores da agricultura, pecuária, pesca, mineração sempre geridos a partir do principio da maior lucratividade possível gerando, por isso mesmo, a concentração dos meios de produção e dos ganhos controlados pela classe burguesa.

2 - Na segunda metade do século 18, considerando a invenção da máquina a vapor e daquelas destinadas a processar o algodão, temos o marco inicial da chamada Revolução Industrial. As máquinas de fiação e tecelagem substituem o processo que era desenvolvido na casa do trabalhador na qual a família – a mulher e os filhos – fiavam  ao homem cabia a tarefa de tecer. Existia ainda a possibilidade, quando o pai não tecia, de vender o fio. Estas famílias tecelãs vivam em geral em áreas rurais vizinhas das cidades. (ENGELS,2008)

3 – O crescimento da demanda interna ao lado de uma pequena população e o isolamento dos produtores impedia a concorrência entre estes. Este camponês apesar de pobre poderia economizar e arrendar a terra e nesta trabalhava em seu tempo livre revelando uma situação econômica, apesar da pobreza, acima do operariado a ser empregado nas fábricas. (ENGELS,2008)

4 – Precisamos entender que esta transformação no modo de produzir progredindo da forma domiciliar à industrial não surge a partir da simples vontade deste ou aquele setor da sociedade dependendo este fato de fatores que possibilitaram a acumulação primitiva de capital e deste a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico associado as necessidades de um mercado ampliado para além daquele atendido pelos produtores familiares. A conquista das colônias americanas constitui a base desta expansão revelada na transferência da prata e do ouro latino-americano, ainda no século 16, possibilitando a intensificação do comércio internacional acompanhada da necessária ampliação da capacidade produtiva, notadamente da Inglaterra, a desenvolver a tecnologia necessária ao fornecimento de máquinas e destas a transferência do local de produção das residências às fábricas. A destinação da prata, do ouro e das demais mercadorias coloniais da América Latina para a Europa foi realizada de forma a não possibilitar aos povos originários o mínimo proveito da situação ao contrário do progresso tecnológico naquele continente (SMITH,1996).

5 – Acumular o capital necessário para a fase industrial do regime capitalista, como é possível observar, não decorre do esforço individual e sim do processo de acumulação amparado na exploração, efetivada a partir da classe dominante nos países colonizadores, dos povos conquistados e devemos ainda observar a necessária existência de trabalhadores para empregar nas fábricas que substituíram a forma doméstica naqueles mesmos países com especial destaque à Inglaterra (HUBERMAN,1981).

6 – Observe: a sustentação da produção efetivada em sua forma familiar depende da inexistência de uma concorrência entre os produtores tornando-se suficiente para o atendimento de um mercado interno. A partir da ampliação do comércio internacional este modelo entra em colapso em decorrência da maior capacidade de produção da indústria com suas máquinas gerando uma concorrência destrutiva da parte mais fraca acrescida da necessária ampliação das terras destinadas ao plantio de algodão, criação de carneiros para a extração da lã. Aqui temos situações novas: as fábricas passam a concentrar a produção e o trabalho criando uma nova categoria; os operários. Estes substituem aquelas famílias transferidas, neste momento, para as cidades sede das fábricas enquanto o campo passa a priorizar o plantio em maior quantidade possível com menor uso de trabalho humano.

7 – Desprovidos do acesso ao mercado, sem a terra para desenvolver o seu trabalho e sem os instrumentos de trabalho considerando a impossibilidade de compra das modernas máquinas, fica o produtor obrigado, para sobreviver, a venda de sua força de trabalho ao capitalista. Observe, a transformação de produtor em assalariado não ocorre a partir de um desejo individual e sim da necessidade observada após a retirada de seus meios de sobrevivência obrigando a trabalhar para outro (HUBERMAN,1981).

8 – O emprego desta mão de obra, todavia, não vai acontecer em sua plenitude criando um excedente e deste os desempregados a perambular pelas cidades industriais inglesas formando um contingente a aguardar a oportunidade para a venda de sua força de trabalho formando um “exército industrial de reserva” possibilitando aos capitalistas o controle da taxa de lucro considerando a redução dos salários (MARX, 2013). Ainda no século 19 Karl Marx entende que este fenômeno decorre da forma de organização da produção no regime capitalista e não em decorrência de uma tendência ao crescimento da população notadamente daquelas mais pobres presentes na obra de Adam Smith e posteriormente justificada em Thomas Malthus.

9 – Esta alteração vai, em princípio, gerar um grande número de pessoas sem as condições mínimas de sobrevivência em decorrência da falta de empregos criando este fato um grande número de miseráveis nas cidades industrializadas da Inglaterra. Este aumento da população urbana e consequente ampliação do número de miseráveis vai resultar em diferentes interpretações de base demográfica. Destas destaco a tese defendida por Thomas Malthus a entender como necessário para evitar a pobreza o controle da população entendendo existir um crescimento da população em nível superior ao da produção e dos meios necessários à sobrevivência.

10 – A pobreza, fica desta forma, transforma-se em responsabilidade do homem pobre em função de sua propensão a procriação acima do que é recomendável para uma vida confortável. Malthus condena a caridade ou qualquer outra forma de assistência oficial aos pobres, salvo em caso de extrema miséria, entendendo estes auxílios como elementos a contribuir com uma espécie de acomodação dos beneficiados impedindo a busca de locais com oferta de empregos ou mesmo diminuindo o rendimento na produção daqueles empregados (MALTHUS, 1996).  

11 – Adam Smith, em trabalho anterior a Malthus, vai apresentar fundamentos para o pensamento deste ao entender a oferta de mão de obra como aquela verificada em qualquer outra mercadoria existindo, portanto, a necessidade de sua regulamentação a evitar o excesso de trabalhadores origem esta da pobreza. (SMITH,1996).

12 -  A Revolução Industrial, como foi possível observar, vai apresentar as necessárias condições para a superação das dificuldades produtivas a partir das necessidades de um mercado mundial nascendo, desta forma, da primeira integração comercial ampara esta na divisão entre aqueles povos a fornecer a matéria-prima, notadamente aqueles colonizados, somada ao novo modelo de divisão de classes representada no surgimento do operariado.










      

Bibliografia

ENGELS, F. (2008). A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra . São Paulo : Boitempo .

HUBERMAN, L. (1981). História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Zahar.

MALTHUS, T. R. (1996). Ensaio Sobre a População . São Paulo : Abril .

MARX, K. (2013). O Capital - Livro 1. São Paulo : Boitempo .

SMITH, A. (1996). A RIQUEZA DAS NAÇÕES INVESTIGAÇÃO SOBRE SUA NATUREZA. São Paulo : Abril Cultural .























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